Esse novo valor soma-se aos cerca de R$ 100 milhões anunciados pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, que será destinado para a reconstrução do prédio da UFPE destruído pelo incêndio
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação Luciana Santos anunciou nesta sexta-feira (09.10) que o Governo Federal destinará mais R$ 40 milhões, por meio do ministério que ela está à frente, para reestruturação dos laboratórios atingidos pelo incêndio que ocorreu na noite de quarta-feira (7), em um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A ação emergencial do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) se junta às cinco medidas do Ministério da Educação (MEC) que foram anunciadas na quarta-feira (7) para garantir a continuidade das pesquisas nas áreas de fármacos, genética e informática. Assista aqui ao anúncio da ministra Luciana Santos.
O valor a ser destinado pelo MCTI corresponde ao que havia no local de investimento em equipamentos de pesquisa feito pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), que é uma empresa pública brasileira vinculada ao ministério. “Antes de falar o que o nosso presidente Lula determinou para nossos ministérios, que dialogam com a política da Educação, com a Universidade, que são o Ministério da Educação e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, vou fazer um registro do quanto a gente lamenta. E a nossa expectativa é acalmar um pouco a alma da quantidade de gerações que se envolveram nesta pesquisa ampla na área de Saúde, que vai desde o espectro autista, passando por covid, câncer”, iniciou a ministra Luciana Santos.
Ela também falou sobre a importância que os laboratórios de certificação NB3 que funcionavam no prédio têm para o Brasil. “Esse é um laboratório de biossegurança. Nós estamos fazendo, no Plano de Aceleração do Crescimento, um NB4, que é um laboratório de contenção biológica máxima, que manipula patógenos, vírus, fungos. Para vocês terem uma ideia, o NB4 que estamos construindo em Campinas (SP) vai manipular o ebola. Ainda não sabemos o estado do NB3 (após o incêndio), mas ele é muito estratégico”.
“Estamos falando aqui de uma pesquisa de mais de 20 anos. A gente veio acalmar as gerações e estudantes envolvidos nisso, numa perspectiva não de recuperar o perdido, porque isso é impossível, mas de chegar junto de imediato para recuperar a infraestrutura de pesquisa e viabilizar a retomada desse desenvolvimento que é tão crucial para a vida das pessoas. Estou aqui com Vinicius Castelo, recém-eleito, que já está articulando na Assembleia Legislativa recursos também. Nesse período todo, nosso ministério investiu R$ 150 milhões na UFPE, no Estado todo foram R$ 1,86 bilhões. Estamos aqui para seguir uma determinação do nosso presidente Lula que é socorrer a ciência. Ela é vital, faz parte da solução da vida das pessoas e um dos grandes desafios da gente é virar a página do negacionismo no nosso País”, conclui a ministra.

Durante a visita oficial feita à UFPE, além de conferir o prédio atingido pelo incêndio, a ministra Luciana Santos esteve na nova sede do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica – Suely Galdino (NUPIT-SG), que já está em funcionamento mesmo durante a fase final de construção, e participou de uma reunião com pesquisadores.
Como parte da entrevista coletiva realizada sobre a visita do MCTI ao campus, o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, falou sobre outros dois incêndios de menor proporção que ocorreram na UFPE recentemente. “São mais de 370 edificações na UFPE, temos uma política de acompanhamento e fiscalização. Dos dois últimos incidentes, as causas estão plenamente identificadas. No laboratório do Departamento de Física, foi a partir da realização de um experimento específico. No Centro de Biociências, nós perdemos um freezer. Este aqui teve uma proporção diferente e precisamos aguardar as investigações para determinar as causas”, destacou.
Na ocasião, o reitor fez agradecimentos à ministra pela presença e pelos investimentos. “De forma emergencial, vamos fazer as tratativas para aquisição de todos os equipamentos. Estamos felizes pelo compromisso do Governo Federal para a gente caminhar. São investimentos robustos”. O vice-reitor da UFPE, Moacyr Araújo, completou: “Um detalhe que à s vezes pode passar despercebido é que os equipamentos que estavam aqui são de última geração. E esses recursos chegando agora pelos ministérios são essenciais. Computadores podem ser adquiridos pelo MEC, mas esses equipamentos de ponta serão adquiridos com esses recursos. Fica nosso agradecimento à ministra, à Finep e ao presidente Lula”.
Ações do MEC – O ministro da Educação, Leonardo Barchini, também visitou a UFPE após o incêndio, na quinta-feira (8), quando anunciou as cinco medidas que serão tomadas pelo Governo Federal por meio do MEC para que o trabalho dos pesquisadores que atuavam no local possa continuar. Entre elas, estão a construção de um novo prédio, maior do que o atingido pelas chamas, e a destinação de recursos para a compra de novos equipamentos. Também haverá extensão do período de concessão das bolsas de mestrado e doutorado pela Capes; a inclusão dos pesquisadores no Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), para que possam concluir seus estudos em instituições de outros países ou do próprio Brasil; e a conclusão de duas construções em andamento no Campus Recife, um prédio que faz parte do Centro de Informática (Cin) e a nova sede do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica – Suely Galdino (NUPIT-SG).
Investigação sobre o incêndio – O Corpo de Bombeiros foi imediatamente acionado para combater o incêndio no prédio multiuso situado na área do Campus Recife que margeia a BR-101. Não houve vítimas. Porém, em função das características dos produtos armazenados no local, o fogo se alastrou rapidamente e provocou grandes danos. O reitor da UFPE Alfredo Gomes acompanhou o trabalho do Corpo de Bombeiros na noite de quarta-feira (7). A Polícia Federal também foi acionada e fez imagens do local já na quinta-feira (8), utilizando um drone e um robô, como parte da investigação. Após a estabilização da estrutura é que os peritos podem entrar no prédio para dar continuidade ao trabalho de perícia, que será realizado em conjunto com uma equipe de Brasília.
A edificação atingida possui 2.967,32 m² de área construída. Projetada em 1957 para abrigar o Restaurante Universitário e construída em 1958, teve sua finalidade alterada nos anos 2000, passando a sediar a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (DINE) e o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica – Suely Galdino (NUPIT-SG) até os dias atuais. Para acelerar o processo de construção do novo prédio, será utilizado o projeto executivo que foi elaborado para o Centro Acadêmico do Agreste (CAS), em Sertânia, que tem em torno de 7 mil m².







